“You see... Surprise! You don’t know what’s in you until you test it, until you word associate. You’ve been writing self-consciously, intellectually, for too long. The deep stuff, your true self, hasn’t had a chance to come out. You’ve been so busy thinking commercially, ‘What will sell? What’ll I do?’, instead of saying ‘Who am I? How do I discover me?’”
~ An Evening with Ray Bradbury, 2001
Não o conhecia. Não verdadeiramente. Sabia-lhe o nome da forma distante como sabemos tudo o que ainda não nos tocou. Ray Bradbury era mais uma entrada na agenda do meu cérebro, com nome mas sem conteúdo, a minha existência e a sua ainda não tinham trocado partículas e eu estava longe de saber que um simples clique inocente no Youtube bastaria para o fazermos. Já postumamente, mas o postumamente é um detalhe para as pessoas que perduram muito para além de si próprias.
Durante mais de setenta anos Ray Bradbury escreveu pela alegria de se descobrir a si mesmo e ao mundo em que vivia, moldando a pulso o universos da ficção científica e da fantasia através de obras como Fahrenheit 451, The Martian Chricles, The Illustrated Man, Dandelion Wine e Something Wicked This Way Comes.
Em 2005, já com 93 anos, escrevia assim: "In my later years I have
looked in the mirror each day and found a happy person staring back.
Occasionally I wonder why I can be so happy. The answer is that every
day of my life I've worked only for myself and for the joy that comes
from writing and creating. The image in my mirror is not optimistic, but
the result of optimal behavior."
Só esta semana comecei a descobrir a obra dele - a escrita e aquela de que ficou registo em vídeos como este. Tudo começou num sábado ventoso e gelado, enterrada debaixo das cobertas, enquanto deixava que a sua voz afável me falasse da importância de escrever pequeno em vez de grande; da importância de ler muito e sempre; do inigualável prazer de descobrir uma alma gémea na biblioteca; de como um escritor existe por dentro, mesmo quando ainda nenhuma outra pessoa o vê; de como é importante escrevermos sobre o que amamos e de como os bloqueios existem para nos avisar quando não o estamos a fazer; de como ser escritor acontece com toda a naturalidade do mundo, se formos fieis ao nosso caminho.
Terminado o vídeo, fui a uma biblioteca lê-lo pela primeira vez: um conto pequeno, sensível, vivo, fiel à sua voz, tal como a ouvi neste vídeo. Uma alma gémea? O tempo o dirá. Mas como alguém disse um dia, creio que este será o início de uma bela amizade.
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