A reverência. Escrever num espanto por cada coisa, como milagre que é, por cada estrela do céu estrelado, ou pedra do caminho, escrever dentro do sufoco que toma o peito quando o mais profundo das formas se manifesta. Lamentamos secretamente as oportunidades perdidas de nos sentirmos pequenos, insignificantes em nós mesmos, completos no todo. Faltam-nos nos tinteiros planícies, mares desertos, pântanos, a selva misteriosa, ou simplesmente o mundo minúsculo espiado à altura da relva em que nos deitamos por fim.
A propósito deste fragmento, rabiscado hoje no Moleskine numa versão semelhante mas não igual à que chegou aqui ao blogue, fui caçar na estante o adorável e diminuto conto "Porque é tão importante ver as estrelas", do livro Fronteiras Perdidas, de José Eduardo Agualusa. Fui caçar, especificamente, esta passagem:
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A propósito deste fragmento, rabiscado hoje no Moleskine numa versão semelhante mas não igual à que chegou aqui ao blogue, fui caçar na estante o adorável e diminuto conto "Porque é tão importante ver as estrelas", do livro Fronteiras Perdidas, de José Eduardo Agualusa. Fui caçar, especificamente, esta passagem:
"A avó de Fortunato nasceu em Calomboloca e viu pela primeira vez a luz eléctrica, já adulta, quando o marido a levou para Luanda. Ao contrário do que seria de esperar não ficou encantada. Na opinião da velha senhora o esplendor eléctrico das grandes cidades, ao ocultar o brilho das estrelas, prejudicou a humanidade. Ela acha que, tendo deixado de ver as estrelas - tendo deixado de se confrontar, todas as noites, com o ilimitado, o infinito, a fantástica imensidão do universo -, os homens perderam a humildade, e com a humildade perderam a razão."
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Sempre a propósito, e fazendo do texto de Agualusa meu trampolim, aqui ficam alguns desafios:
1. Escrever, na primeira pessoa, sobre o dia em que a avó de Fortunato viu pela primeira vez a luz eléctrica.
2. Descrever o céu nocturno como se tivessem de o explicar a uma pessoa que nunca o viu nem sabe o que é. Não usar as palavras céu, noite, estrelas, lua, escuro, claro, azul, branco, negro, nuvens.
3. Descrever detalhadamente uma lâmpada. Descrever o que lhe sucede quando se acende.
4. Em 5 minutos (cronometrados!) escrever as palavras e frases que vierem ao espírito a propósito do termo "infinito".
5. Numa mesma noite, ao mesmo tempo, duas pessoas olham para a lua cheia. Uma está num barco. Outra numa casa. Descrever quem são e o que pensam.
6. Fazer alguma coisa pela primeira vez e escrever sobre isso.
4. Em 5 minutos (cronometrados!) escrever as palavras e frases que vierem ao espírito a propósito do termo "infinito".
5. Numa mesma noite, ao mesmo tempo, duas pessoas olham para a lua cheia. Uma está num barco. Outra numa casa. Descrever quem são e o que pensam.
6. Fazer alguma coisa pela primeira vez e escrever sobre isso.

