quarta-feira, 6 de março de 2013

O detalhe, a literatura e a vida


"... na vida como na literatura, navegamos através das constelações do detalhe. Usamos o detalhe para focar, para fixar uma impressão, para recordar. E como anzol."

"A literatura difere da vida na medida em que a vida é homogeneamente repleta de detalhes, e raramente nos chama a atenção para eles, enquanto a literatura nos ensina a reparar..."

"A vida, portanto, contém sempre um excedente inevitável, uma margem de detalhe gratuito, um reino no qual há sempre mais do que aquilo que necessitamos: mais coisas, mais impressões, mais memórias, mais hábitos, mais palavras, mais felicidade, mais tristeza."

"É a especificidade em si mesma que é satisfatória? Creio que sim, e creio que exigimos essa satisfação da literatura."

"Com Flaubert e os seus sucessores, apercebemo-nos de que a escrita ideal é uma procissão de detalhes interligados, um colar de observações, e que isto é por vezes uma obstrução e não um auxílio visual."

"O grande risco aqui é o esteticismo, e também uma caricaturização do olho observador. (Há tanto detalhe na vida que não é puramente visual)."  


~ James Wood, em A Mecânica da Ficção, aqui possivelmente citado em desordem cronológica

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