domingo, 10 de março de 2013

A mente consumidora

Lesson learned. A mente consumidora atulha-se até à obesidade. Quer do exterior sempre mais e dá de si sempre menos. Se a espicaço ela mexe-se com gestos curtos, indolentemente, logo deixando os seus braços balofos caírem de volta no sofá, sítio afundado de onde prefere ver a vida. 

É o tipo de mente que vive na música como na televisão, num livro como nas redes sociais, vive nessas e em todas as coisas atrás de portas e janelas fechadas, sem dar um passo, sem acrescentar uma ideia, contida na sua passividade confortável.

É um vício. Com ela repetidamente resvalo na hora em que se exige acção. Uso os outros como dique em vez de dínamo. Canso em vão os olhos, encho em vão o espírito. Se não houver filtro nem limite, fica apenas a mancha grosseira.

A mente consumidora segue o que é fácil. Deambula sonâmbula. E o mais perigoso é que se instala facilmente e facilmente perturba o delicado equilíbrio entre estímulo e espaço vazio de onde desponta a possibilidade de algo novo.

Lesson learned. Escrever de manhã. Ou pelo menos primeiro. Tudo o resto depois. Exercer consciência. Registar leituras. Saber o porquê. Impor critérios. Acordar o corpo. Escapar à inércia.

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