segunda-feira, 27 de maio de 2013

Uma imagem cem palavras - desafio n.º 7

Olá a todos e obrigada por mais esta visita! No desafio de escrita de hoje proponho-vos escrevermos cem palavras ou mais sobre a seguinte imagem:


Como sempre, na próxima segunda será a hora de partilharmos os nossos textos, por isso não deixem de marcar presença. E entretanto vão espreitando o blogue, porque haverá novidades!

Boas leituras e boa escrita!

2 comentários:

  1. Olá Adriana! Cá vai o texto que a imagem me inspirou, para tua apreciação e dos demais leitores ;) Beijinho

    No palácio de Frederiksborg não havia azulejos. Cristiano IV, Rei da Dinamarca, com a graça do Senhor, decidira que isso teria que mudar, após o grande incêndio de Copenhaga. Também conhecido por C4, forma como é representado na multiplicidade de monumentos que legou às gerações futuras, escreveu uma carta ao Rei de Portugal, a D. João IV, mais concretamente, pedindo-lhe recomendações de artífices para instalarem azulejos portugueses algures no jardim do palácio. O recém eleito rei português recebeu com agrado a missiva e encetou esforços para encontrar alguém que quisesse ir passar uma temporada à gelada Dinamarca. Como a procura acabou por se revelar mais árdua do que previra, não parecendo ninguém estar disposto a prescindir do sol lusitano, o monarca optou por encomendar uma obra para oferecer ao seu congénere nórdico. Jaime Alves Fernandes, mestre douto na arte de pintar azulejos, de fama incontornável nos arrabaldes da capital, aceitou a encomenda, que tinha uma particularidade: deveria ser fornecida com os azulejos soltos, de forma a que pudessem ser transportados e, mais tarde, aplicados nos jardins de Cristiano IV. A obra não tardou mais do que uma semana a estar nas mãos do rei português, que, aferindo a sua qualidade incontestável, rapidamente ordenou que fosse enviada para o Reino da Dinamarca. Transportada num barco, chegou ao porto de Copenhaga algumas semanas mais tarde, intacta. Porto de Copenhaga é, na realidade, um pouco um pleonasmo, dado que "Copen" vem de "Køben" (compras) e "haga" vem de "havn" (porto), significando o nome completo "porto das compras", algo muito adequado para a peça comprada pelo rei português para o rei dinamarquês. Este já estava à espera da encomenda. Prevenido, enviara cavaleiros da sua confiança para esperarem o barco. Muito profissionais, estes recolheram a encomenda e transportaram-na numa carroça com esmero. Chegados ao palácio, depuseram a obra aos pés de Cristiano IV, que a examinou com um fragoroso sorriso. Ordenou a um grupo de canteiros do palácio que procedesse à instalação dos azulejos numa secção aprazível do jardim. E assim fizeram. Porém, como não tinham instruções sobre o desenho original, acabaram por criar algo bastante diferente do que o artista português tinha imaginado. Quis o destino que montassem o retrato de corpo inteiro de uma donzela portuguesa com as filas horizontais desalinhadas , resultando numa figura enigmática, que poderia integrar perfeitamente um quebra-cabeças. O rei não estranhou, pensando tratar-se de uma obra vanguardista portuguesa. E dela se vangloriou durante os anos que se seguiram, ordenando que lhe apusessem sem demora um valoroso C4.

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    1. Olá Trol Leifsson! Muito obrigada pela partilha deste texto inventivo e de final inesperado! Até breve.

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