domingo, 23 de junho de 2013

Dormir, escrever, ler

Haverá coisa mais deliciosa que dormir num jardim, na hora do sossego, em que pássaros dispersos insistem em piar e a tarde se estende interminável?

Acordo no banco, camisola pontilhada por bichos minúsculos que deslocam amarelos e pretos vagarosamente.

As árvores estão no lugar onde as deixei, tranquilizadoras e imóveis. É como se o tempo não passasse aqui e eu pudesse ser sempre a mesma. 

A mosquitada dardeja e cada ser cava para si um espaço na existência.

Cactos inclinados, vizinhos de três palmeiras e outras copas verdejantes, saúdam o meu regresso.

*

Fui parar a este vídeo de modo semi-aleatório. Aqui estão algumas frases sobre as quais vale a pena meditar:

"Pessoas gostam de pessoas."

"Crie frases curtas."

"Comece com uma pergunta."

"Seja um escultor de palavras."

"Faça do humor o atalho para o cérebro."

"Termine um parágrafo criando uma abertura, um prefácio, para o próximo parágrafo."

"Escreva com compasso."

"Ouse errar, às vezes."

"Transforme o seu leitor em cúmplice."

*

Se passarem na Gare do Oriente, não se esqueçam de visitar a feira do livro permanente que por lá se mantém, a preços sempre convidativos.

3 comentários:

  1. Olá, A.
    Por aqui andei hoje, a vaguear pelo meio de propostas simples e diretas, como esta. As três ideias da minha eleição têm a ver com opções por um caminho simples: frases curtas, “abusar do corriqueiro”, levar o interlocutor para a cozinha, para um espaço de diálogo mais informal. É encorajador pensar como se pode criar um produto com conteúdo e beleza formal, a partir de ingredientes primários.
    Por exemplo, conversar sobre as matérias mais simples da vida pode ser fonte de prazer sincero. E reencontrá-las no que descreve o escritor também: o leitor sente-se cúmplice de um momento intraduzível, se não for exprimido daquela maneira.
    Entro agora no espírito da observadora/escritora:
    “A mosquitada dardeja e cada ser cava para si um espaço na existência.

    Cactos inclinados, vizinhos de três palmeiras e outras copas verdejantes, saúdam o meu regresso.”
    Domingo pachorrento, pois, mas em grande. À beira de outro fim de semana, neste tempo atravessado de faixas de calor, apetece pedir novo encontro no mesmo jardim :) 
    Um abraço.

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  2. Mdr, embora tardiamente não queria deixar de agradecer a visita e o comentário! Até breve

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