segunda-feira, 8 de abril de 2013

Uma imagem cem palavras - texto n.º 3

No sábado não houve novidades porque o meu corpo andou às turras com um vírus. Fruta da época! Para recuperar a embalagem, volto hoje com a resposta ao desafio da segunda-feira passada. Como sempre, a secção dos comentários está aberta a todos os que quiserem partilhar os seus próprios textos, por isso, toca a pôr essas canetas e teclados a mexer! Boa escrita!

três à beira de uma mesa. 

há o que prefere o café puro e mau. caro. injustificável ao paladar. anima-o, porém, em todo aquele padronizado e pré-fabricado que o envolve, o manter-se fiel aos princípios da cafeína verdadeira, a singular satisfação que está reservada aos puristas, aos abnegados e aos virtuosos.

ao lado há os que preferem o açúcar em estado líquido. muito caro. prazer do corpo imediato que se paga em dinheiro e privações posteriores. prazer de plástico, feito para atordoar e logo se desvanecer. é mais caro porque resulta.

tudo tem um preço aparente ou oculto. tudo se paga nesta vida.

e depois há os que não vêm para beber, mas para estar. estar e ver os outros que vão e vêm como bandos migratórios fora de ritmo. às vezes aglomeram-se, às vezes deixam espaços vazios, às vezes tomam tudo de assalto, e as mesas vão-se cobrindo e libertando de cartão descartável e loiça para lavar.

2 comentários:

  1. Pois eu olho e vejo a cor dos objectos e o espaço. O lugar do café, elegantemente enquadrado por colunas, ocupando uma esquina do corredor central do aeroporto, próximo da loja de flores artificiais. Há poucas horas eu estava ali e lia um jovem autor português, capaz de nos levar pela mão a lugares de desencanto interior e de cínica amargura, à medida da vontade de viver aparentemente recusada pelo narrador. Lia e queria ler mais. Lia e queria seguir as pessoas que ocupavam as mesas à minha volta. Há momentos assim, em que a multiplicidade das escolhas e a possibilidade de agir de diferentes formas nos paralisam de felicidade.

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    1. Boa noite T. e obrigada pelo comentário. :) Gosto da evocação do aeroporto, que me transporta sempre para mil e uma fantasias e possibilidades de histórias. Já quanto à paralisia da escolha, sempre a vi como a antítese da felicidade, por isso é curioso/interessante ver os dois conceitos associados de forma tão diferente.

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