João Tordo, em entrevista ao jornal i:
"Não oiço música, estou em silêncio e escrevo sempre cerca de duas mil palavras. Nunca escrevo menos e raramente escrevo mais. Parece que estou a fazer contas, mas não é isso. Tem a ver com o facto de saber que todos os dias vou progredir e combato a preguiça. E deixo sempre as frases a meio, nunca ponho um ponto final. São mais fáceis de retomar. Com um ponto final preciso de um novo fôlego. Não sei porquê.
Gonçalo M. Tavares, em entrevista ao jornal i:
"Tento concentrar-me nas manhãs e manter uma disciplina. É uma questão de, como dizem os desenhadores, manter a mão quente. Às vezes começo a escrever com frases completamente ao acaso e só depois é que a mão pega. As primeiras páginas de um romance mando fora – é a fase em que a mão ainda está a aquecer, à procura da sua forma. (...) Começo por ler. Ensaio, ficção, etc. É uma espécie de exercício para pôr a cabeça a funcionar. Depois posso começar às 8h30 e acabar à uma ou duas da tarde."
Gonçalo M. Tavares, respondendo a perguntas do público num evento na Bibliotecta Municipal de Frankfurt (transcrição minha a partir de vídeo do canal adoa5):
"Não oiço música, estou em silêncio e escrevo sempre cerca de duas mil palavras. Nunca escrevo menos e raramente escrevo mais. Parece que estou a fazer contas, mas não é isso. Tem a ver com o facto de saber que todos os dias vou progredir e combato a preguiça. E deixo sempre as frases a meio, nunca ponho um ponto final. São mais fáceis de retomar. Com um ponto final preciso de um novo fôlego. Não sei porquê.
Gonçalo M. Tavares, em entrevista ao jornal i:
"Tento concentrar-me nas manhãs e manter uma disciplina. É uma questão de, como dizem os desenhadores, manter a mão quente. Às vezes começo a escrever com frases completamente ao acaso e só depois é que a mão pega. As primeiras páginas de um romance mando fora – é a fase em que a mão ainda está a aquecer, à procura da sua forma. (...) Começo por ler. Ensaio, ficção, etc. É uma espécie de exercício para pôr a cabeça a funcionar. Depois posso começar às 8h30 e acabar à uma ou duas da tarde."
Gonçalo M. Tavares, respondendo a perguntas do público num evento na Bibliotecta Municipal de Frankfurt (transcrição minha a partir de vídeo do canal adoa5):
"Eu acredito muito nisso também no trabalho literário (...), eu quando sinto que faço bem uma coisa, ou seja, se faço com a mão direita, não é - se pensarmos que a mão direita é mais hábil - eu tento passar para a mão esquerda, precisamente esta ideia de o que me vai surpreender vai ser feito com a mão que eu menos domino, (...) a mão menos usada. (...) Estou sempre a procurar a minha mão esquerda, não é... E é interessante que a mão esquerda depois de nós praticarmos muito (...) fica mão direita, fica hábil, e portanto temos de encontrar uma outra mão esquerda."
"Quando as coisas correm bem eu sento-me e escrevo quatro horas, cinco horas seguidas (...) E isso é quando a coisa resulta bem. (...) E depois a segunda parte do trabalho é uma coisa um bocado louca que é, depois de eu escrever vinte páginas - às vezes escrevo vinte páginas numa manhã e depois demoro dois meses a passar essas vinte páginas para duas páginas, que é um bocado absurdo mas é esse o meu método de trabalho. (...) E é muito, é muito interessante que é o que dá mais trabalho, é tornar mais curto, tornar mais curto, cada vez mais, não é... tirar todas as palavras que não sejam precisas."
valter hugo mãe, em entrevista à Visão:
"A cada um dos seus livros corresponde um desses cadernos, onde vai
anotando ideias, expressões, palavras, muito antes de se fechar a
escrever os romances. Para isso, mune-se de um computador que não o
irrite, o mesmo é dizer que não esteja sempre a assinalar erro nas
minúsculas e a emendá-lo. A primeira precaução que toma é justamente
formatar o computador: 'O meu word não me sugere nada, não se pronuncia
quando escrevo os nomes das pessoas, das cidades, dos meses em
minúsculas. Preciso que me deixe em paz e cada vez mais de estar isolado
para escrever'. Abastece-se no supermercado de um sortido de conservas
de atum e de sardinha, de sopas de pacote e outros enlatados e tranca-se
em casa, durante umas semanas."
"É também limpa, mesmo imaculada, a relação do escritor com o papel. Não
admite nem a uma dedada na brancura da folha: 'Não consigo desenhar num
papel com manchas, marcas ou dobras nas pontas. E tendencialmente
procuro um desenho sem um traço de hesitação'."
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